Depois do Adeus Quero o livro · €9,90
Para quem perdeu alguém

Uma companhia para os dias em que a saudade aperta

Três histórias portuguesas de perda, um guia prático e páginas para escrever. Para perceberes o que estás a sentir, saberes o que fazer nos dias difíceis e leres ao teu ritmo, uma página de cada vez.

130 páginas em PDFPortuguês de PortugalLês no telemóvel ou imprimes
Quero ler Depois do Adeus €9,90
Recebes em minutos, no email Podes ler o 1.º capítulo antes de comprar Garantia de 15 dias
Capa do livro Depois do Adeus: uma chávena azul com flores, em aquarela
Se perdeste alguém

Toda a gente tem um conselho. Quase ninguém sabe o que dizer.

Talvez te reconheças nalgumas destas coisas.

O mundo voltou ao normal. Tu não.

Os colegas já não perguntam como estás. A vida dos outros seguiu e tu continuas no mesmo dia.

«O tempo cura tudo.» «Tens de ser forte.»

Frases ditas com carinho que te deixam ainda mais só.

A culpa das três da manhã

E se eu tivesse reparado antes? E se tivesse ligado naquele domingo? A pergunta volta sempre quando a casa fica em silêncio.

Choras sem aviso

No supermercado, ao ver o café que essa pessoa bebia. No carro, quando passa aquela música.

Achas que já devias estar melhor

Passaram meses e ainda há dias que parecem o primeiro. Começas a pensar que há alguma coisa errada contigo.

Não sabes como falar disto

Com os teus filhos, que fazem perguntas difíceis. Com a família, que também sofre, mas de outra maneira.

Nada disto quer dizer que estás a fazer o luto mal. Quer dizer que amaste muito.

Porque é tão difícil

Não é falta de força. O luto não anda em linha reta.

Quase toda a gente já ouviu falar das cinco fases do luto: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Muita gente fica à espera de as cumprir, uma a uma, até ao dia em que a dor passa.

Então porque é que há dias em que te sentes quase bem e, no dia seguinte, sem razão nenhuma, voltas ao primeiro dia?

Essas fases foram descritas em 1969 pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, a partir de conversas com pessoas doentes em fim de vida, e não com quem ficou. Quem estuda o luto hoje descreve-o de outra maneira: um vaivém entre a dor e a vida prática, que pode mudar de um dia para o outro, ou na mesma hora.

O problema não és tu. É a ideia de que o luto tem degraus e prazo de validade. É ela que te faz sentir que estás a falhar, e é ela que está por trás de quase todos os conselhos que magoam.

Os conselhos de sempre

Partem do princípio de que o luto tem prazo: «já devias estar melhor», «tens de seguir em frente».

Fazem-te sentir que estás atrás do tempo

Os manuais das fases

Explicam o luto como uma escada, degrau a degrau. Quando voltas a um dia mau, parece que andaste para trás.

Teoria difícil de ler quando a cabeça não está lá

Depois do Adeus

Foi pensado para o vaivém. Tem histórias para os dias de dor, um guia para os dias práticos e páginas para escreveres. Em cada dia, abres a parte de que precisas.

€9,90 · ao teu ritmo

Se a dor estiver demasiado pesada, um psicólogo pode fazer toda a diferença. O livro explica quais são os sinais de alerta e onde pedir ajuda em Portugal.

Como o livro funciona

Três partes, para os diferentes dias do luto

Não tens de ler por ordem. Em cada dia, abres a parte de que precisas.

Primeira parte · Histórias

Para os dias em que precisas de companhia

Três pessoas que perderam alguém. Não te dizem o que fazer. Mostram que o que sentes tem nome, e que outras pessoas já passaram por aí.

Segunda parte · Guia

Para os dias em que precisas de saber o que fazer

O que acontece ao corpo no luto, como falar com uma criança, como atravessar o Natal ou o Dia de Todos-os-Santos, e quando pedir ajuda.

Terceira parte · Páginas para ti

Para os dias em que precisas de pôr tudo cá fora

Doze páginas com uma pergunta cada, para escreveres o que ficou por dizer. No próprio PDF impresso ou num caderno ao lado.

Se a perda é muito recente e não tens força para histórias, começa pelo guia. As histórias ficam à tua espera.

O que vais receber

Três histórias portuguesas, um guia e um espaço só teu

As histórias passam-se em Braga, em Gaia, numa aldeia perto de Viseu e no Luxemburgo. Cada uma acompanha uma perda diferente, do primeiro dia aos anos seguintes.

Perder um filho

O Menino das Estrelas

A Inês perdeu o filho de nove anos num sábado de manhã. Uma história sobre culpa, sobre um casal que se afasta e se reencontra, e sobre uma irmã que continua a crescer.

Perder o companheiro

O Caderno Azul

O Rui teve cinco meses para se despedir da Teresa e deixou-lhe um caderno, escrito à mão, com instruções para a vida sem ele. Uma história sobre o luto que começa antes da morte.

Perder a mãe, longe

Dar Corda

A Cláudia vivia no Luxemburgo quando a mãe morreu, na aldeia. Uma história sobre a distância, a culpa de quem partiu e um relógio que parou.

Para quem está por perto

Um capítulo para familiares e amigos: o que dizer, o que evitar e os gestos que ajudam.

Uma pausa depois de cada história

Uma página para respirar, com uma pergunta simples, antes de seguires.

Contactos de apoio

SNS 24, SOS Voz Amiga e outros serviços em Portugal, logo nas primeiras páginas.

Em PDF, para ler onde quiseres

130 páginas para o telemóvel, o tablet ou o computador, ou para imprimir.

Se estás a pensar…

«Não tenho cabeça para ler.»

Os capítulos têm entre duas e quatro páginas. Uma página por dia já chega.

«Tenho medo que me faça sofrer mais.»

Logo no início há um combinado: podes parar quando quiseres, saltar as histórias e ir diretamente ao guia.

«E se não for para mim?»

Podes ler o primeiro capítulo aqui, antes de comprar. E tens 15 dias para pedir o reembolso total.

€9,90Pagamento único · livro completo em PDF

No pagamento, podes juntar o Diário da Saudade, com 52 semanas de escrita guiada, por mais €4,90.

Quero o livro completo
Chávena azul com a asa lascada, em aquarela
Sobre o livro

Escrito para quem fica

No início do luto, os conselhos raramente entram. Escorregam. Uma história é diferente: não te diz o que fazer, limita-se a fazer-te companhia. Às vezes reconheces-te num gesto, numa frase, num objeto que a personagem não consegue arrumar.

A Inês, a Teresa e a Cláudia são personagens criadas para este livro. O que sentem foi construído a partir de experiências reais de perda: a culpa que aparece às três da manhã, o riso que surge sem pedir licença, os papéis que chegam logo a seguir à dor.

130páginas
27capítulos curtos de histórias
12páginas para escrever

«A saudade não é uma avaria que precise de conserto. É o amor a continuar, mesmo sem ter para onde ir.»

Antes de decidires

Lê um bocadinho do livro

Três excertos, quatro páginas do interior e o primeiro capítulo inteiro, tal como vais recebê-los.

— Eu não queria passar-te.

Não o disse a nós. Disse-o ao batente. Ao risco azul. Ao irmão.

O Menino das Estrelas

1. Não entres em pânico. Eu sei que já estás em pânico.

5. Depois vai fazer um chá, que tu ficas sempre nervosa com estas coisas.

O Caderno Azul

— Não está partida, filha. Está gasta. É diferente.

As coisas partidas deitam-se fora. As gastas são as que foram muito usadas.

Dar Corda
Página do livro: início do capítulo Duas colunas no batente
As histórias
Página do livro: capítulo Estado civil
Capítulos curtos
Página do guia: quando é altura de pedir ajuda
O guia prático
Página pautada para escrever, com uma pergunta
Páginas para ti
Ler o primeiro capítulo inteiro3 minutos
O Menino das Estrelas · Capítulo 1

Duas colunas no batente

Na nossa cozinha, em Braga, há um batente de porta que nunca foi pintado desde que lá vivemos. Não por desleixo. Por decisão.

Do lado esquerdo estão os riscos do Tomás, a azul. Do lado direito, os da Leonor, a vermelho. Cada risco tem uma data e duas iniciais, escritas com a letra torta do Miguel, que fazia questão de ser ele a medir porque, dizia, eu fazia batota a favor dos miúdos. Os dois marcadores, um azul e um vermelho, vivem na gaveta dos talheres só para isso.

— Calcanhares encostados. Costas direitas. Queixo para baixo, Tomás, não estiques o pescoço que eu estou a ver.

— Não estou a esticar!

— Estás a esticar desde os cinco anos.

Medíamos uma vez por ano, no primeiro dia de aulas. Era a nossa maneira de abrir o ano: antes da mochila nova, antes da fotografia à porta da escola, antes do pequeno-almoço engolido à pressa, os miúdos encostavam-se à madeira, um de cada vez, e o Miguel pousava-lhes em cima da cabeça o livro mais grosso que havia lá em casa, um dicionário de inglês que ninguém usava para mais nada, para o risco sair direito.

O Tomás levava aquilo muito a sério. Tinha a teoria de que crescia mais nas férias de verão, por causa da praia e dos gelados, e queria provas. Quando o risco ficava mais alto do que o do ano anterior, dava um salto e um murro no ar, como fazia quando o Braga marcava.

A Leonor, três anos mais nova, vivia em competição com uma coluna que estava sempre fora do seu alcance.

— Um dia vou ser maior do que tu.

— Só se eu deixar de crescer — respondia ele, a rir-se, com aquela confiança de irmão mais velho que acha que o mundo foi organizado por ordem de chegada.

O último risco azul tem a data de 16 de setembro. Um metro e trinta e quatro. Lembro-me de que ele se queixou de que o dicionário lhe tinha despenteado o cabelo, e de que eu lhe disse que não fazia mal, que ninguém reparava no cabelo de um rapaz de nove anos. Ele respondeu que reparavam, sim, que a Matilde do 4.º B reparava. Foi a primeira vez que o ouvi falar de uma rapariga com aquele tom. Ri-me tanto que tive de me encostar ao frigorífico.

Naquela manhã, a cozinha cheirava a torradas queimadas e a protetor solar, porque ainda estava calor e eu obrigava-os a pôr creme até setembro acabar. O Miguel procurava as chaves do carro. A Leonor chorava porque a mochila nova tinha uma alça torcida. O Tomás comia cereais de pé, encostado à bancada, a ler a parte de trás da caixa como se fosse um romance.

Era uma manhã igual a tantas outras. É isso que ninguém nos diz sobre as últimas vezes: não trazem aviso. Não há música de fundo, não há uma luz diferente. Há torradas queimadas, uma alça torcida, um rapaz a ler uma caixa de cereais.

Se eu soubesse, tinha olhado para ele com mais atenção. Tinha decorado o barulho da colher a bater na tigela. Mas não sabia. Ninguém sabe. E talvez seja por isso que aquelas manhãs são tão bonitas: vivemo-las por inteiro, sem medo de as perder.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Como recebo o livro?

Logo depois do pagamento, recebes um email com o acesso ao PDF. Normalmente demora poucos minutos. Se não o encontrares, espreita a pasta de spam ou de promoções.

Posso ler no telemóvel?

Sim. O PDF lê-se bem no telemóvel, no tablet e no computador. Também o podes imprimir, sobretudo as páginas para escrever.

Perdi alguém há muitos anos. O livro também é para mim?

Sim. A saudade não tem prazo. Muitas pessoas voltam a precisar de companhia anos depois, nos dias em que a falta aperta: um aniversário, o Natal, o Dia de Todos-os-Santos.

Posso oferecer o livro a alguém que está de luto?

Podes. Fazes a compra com o teu email e envias o PDF a quem quiseres. O livro tem até um capítulo para quem está por perto, que te pode ajudar a ti também.

O livro substitui a ajuda de um psicólogo?

Não. É uma companhia, não um tratamento. Se a dor estiver muito pesada, o livro explica quais são os sinais de alerta e onde pedir ajuda em Portugal.

Está escrito em português de Portugal?

Sim. As histórias passam-se em Portugal e entre emigrantes portugueses, e o guia fala das datas, dos serviços e dos contactos de apoio de cá.

Para quem não é este livro?

Não é um tratamento, nem um livro religioso, nem um guia de papéis e heranças. As histórias falam da perda de pessoas: um filho, um companheiro, uma mãe. Se procuras outra coisa, o primeiro capítulo, aqui em cima, ajuda-te a perceber se é para ti.

E se não for para mim?

Tens 15 dias, a contar da compra, para pedir o reembolso total através da Hotmart.

Depois do Adeus

Não tens de atravessar isto sozinho, nem sozinha.

Histórias para os dias em que precisas de companhia, um guia para os dias em que precisas de saber o que fazer e páginas para os dias em que precisas de pôr tudo cá fora. Lês ao teu ritmo. O livro fica à tua espera.

O que recebes
  • Três histórias portuguesas de perda e reconstrução
  • Guia para os dias depois, com as datas que custam
  • Capítulo para quem está por perto
  • 12 páginas com perguntas para escrever
  • Contactos de apoio em Portugal
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