Os conselhos de sempre
Partem do princípio de que o luto tem prazo: «já devias estar melhor», «tens de seguir em frente».
Fazem-te sentir que estás atrás do tempoTrês histórias portuguesas de perda, um guia prático e páginas para escrever. Para perceberes o que estás a sentir, saberes o que fazer nos dias difíceis e leres ao teu ritmo, uma página de cada vez.

Talvez te reconheças nalgumas destas coisas.
Os colegas já não perguntam como estás. A vida dos outros seguiu e tu continuas no mesmo dia.
Frases ditas com carinho que te deixam ainda mais só.
E se eu tivesse reparado antes? E se tivesse ligado naquele domingo? A pergunta volta sempre quando a casa fica em silêncio.
No supermercado, ao ver o café que essa pessoa bebia. No carro, quando passa aquela música.
Passaram meses e ainda há dias que parecem o primeiro. Começas a pensar que há alguma coisa errada contigo.
Com os teus filhos, que fazem perguntas difíceis. Com a família, que também sofre, mas de outra maneira.
Nada disto quer dizer que estás a fazer o luto mal. Quer dizer que amaste muito.
Quase toda a gente já ouviu falar das cinco fases do luto: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Muita gente fica à espera de as cumprir, uma a uma, até ao dia em que a dor passa.
Então porque é que há dias em que te sentes quase bem e, no dia seguinte, sem razão nenhuma, voltas ao primeiro dia?
Essas fases foram descritas em 1969 pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, a partir de conversas com pessoas doentes em fim de vida, e não com quem ficou. Quem estuda o luto hoje descreve-o de outra maneira: um vaivém entre a dor e a vida prática, que pode mudar de um dia para o outro, ou na mesma hora.
O problema não és tu. É a ideia de que o luto tem degraus e prazo de validade. É ela que te faz sentir que estás a falhar, e é ela que está por trás de quase todos os conselhos que magoam.
Partem do princípio de que o luto tem prazo: «já devias estar melhor», «tens de seguir em frente».
Fazem-te sentir que estás atrás do tempoExplicam o luto como uma escada, degrau a degrau. Quando voltas a um dia mau, parece que andaste para trás.
Teoria difícil de ler quando a cabeça não está láFoi pensado para o vaivém. Tem histórias para os dias de dor, um guia para os dias práticos e páginas para escreveres. Em cada dia, abres a parte de que precisas.
€9,90 · ao teu ritmoSe a dor estiver demasiado pesada, um psicólogo pode fazer toda a diferença. O livro explica quais são os sinais de alerta e onde pedir ajuda em Portugal.
Não tens de ler por ordem. Em cada dia, abres a parte de que precisas.
Três pessoas que perderam alguém. Não te dizem o que fazer. Mostram que o que sentes tem nome, e que outras pessoas já passaram por aí.
O que acontece ao corpo no luto, como falar com uma criança, como atravessar o Natal ou o Dia de Todos-os-Santos, e quando pedir ajuda.
Doze páginas com uma pergunta cada, para escreveres o que ficou por dizer. No próprio PDF impresso ou num caderno ao lado.
Se a perda é muito recente e não tens força para histórias, começa pelo guia. As histórias ficam à tua espera.
As histórias passam-se em Braga, em Gaia, numa aldeia perto de Viseu e no Luxemburgo. Cada uma acompanha uma perda diferente, do primeiro dia aos anos seguintes.
A Inês perdeu o filho de nove anos num sábado de manhã. Uma história sobre culpa, sobre um casal que se afasta e se reencontra, e sobre uma irmã que continua a crescer.
O Rui teve cinco meses para se despedir da Teresa e deixou-lhe um caderno, escrito à mão, com instruções para a vida sem ele. Uma história sobre o luto que começa antes da morte.
A Cláudia vivia no Luxemburgo quando a mãe morreu, na aldeia. Uma história sobre a distância, a culpa de quem partiu e um relógio que parou.
Um capítulo para familiares e amigos: o que dizer, o que evitar e os gestos que ajudam.
Uma página para respirar, com uma pergunta simples, antes de seguires.
SNS 24, SOS Voz Amiga e outros serviços em Portugal, logo nas primeiras páginas.
130 páginas para o telemóvel, o tablet ou o computador, ou para imprimir.
Os capítulos têm entre duas e quatro páginas. Uma página por dia já chega.
Logo no início há um combinado: podes parar quando quiseres, saltar as histórias e ir diretamente ao guia.
Podes ler o primeiro capítulo aqui, antes de comprar. E tens 15 dias para pedir o reembolso total.
No pagamento, podes juntar o Diário da Saudade, com 52 semanas de escrita guiada, por mais €4,90.
Quero o livro completo
No início do luto, os conselhos raramente entram. Escorregam. Uma história é diferente: não te diz o que fazer, limita-se a fazer-te companhia. Às vezes reconheces-te num gesto, numa frase, num objeto que a personagem não consegue arrumar.
A Inês, a Teresa e a Cláudia são personagens criadas para este livro. O que sentem foi construído a partir de experiências reais de perda: a culpa que aparece às três da manhã, o riso que surge sem pedir licença, os papéis que chegam logo a seguir à dor.
«A saudade não é uma avaria que precise de conserto. É o amor a continuar, mesmo sem ter para onde ir.»
Três excertos, quatro páginas do interior e o primeiro capítulo inteiro, tal como vais recebê-los.
— Eu não queria passar-te.
Não o disse a nós. Disse-o ao batente. Ao risco azul. Ao irmão.
1. Não entres em pânico. Eu sei que já estás em pânico.
5. Depois vai fazer um chá, que tu ficas sempre nervosa com estas coisas.
— Não está partida, filha. Está gasta. É diferente.
As coisas partidas deitam-se fora. As gastas são as que foram muito usadas.




Na nossa cozinha, em Braga, há um batente de porta que nunca foi pintado desde que lá vivemos. Não por desleixo. Por decisão.
Do lado esquerdo estão os riscos do Tomás, a azul. Do lado direito, os da Leonor, a vermelho. Cada risco tem uma data e duas iniciais, escritas com a letra torta do Miguel, que fazia questão de ser ele a medir porque, dizia, eu fazia batota a favor dos miúdos. Os dois marcadores, um azul e um vermelho, vivem na gaveta dos talheres só para isso.
— Calcanhares encostados. Costas direitas. Queixo para baixo, Tomás, não estiques o pescoço que eu estou a ver.
— Não estou a esticar!
— Estás a esticar desde os cinco anos.
Medíamos uma vez por ano, no primeiro dia de aulas. Era a nossa maneira de abrir o ano: antes da mochila nova, antes da fotografia à porta da escola, antes do pequeno-almoço engolido à pressa, os miúdos encostavam-se à madeira, um de cada vez, e o Miguel pousava-lhes em cima da cabeça o livro mais grosso que havia lá em casa, um dicionário de inglês que ninguém usava para mais nada, para o risco sair direito.
O Tomás levava aquilo muito a sério. Tinha a teoria de que crescia mais nas férias de verão, por causa da praia e dos gelados, e queria provas. Quando o risco ficava mais alto do que o do ano anterior, dava um salto e um murro no ar, como fazia quando o Braga marcava.
A Leonor, três anos mais nova, vivia em competição com uma coluna que estava sempre fora do seu alcance.
— Um dia vou ser maior do que tu.
— Só se eu deixar de crescer — respondia ele, a rir-se, com aquela confiança de irmão mais velho que acha que o mundo foi organizado por ordem de chegada.
O último risco azul tem a data de 16 de setembro. Um metro e trinta e quatro. Lembro-me de que ele se queixou de que o dicionário lhe tinha despenteado o cabelo, e de que eu lhe disse que não fazia mal, que ninguém reparava no cabelo de um rapaz de nove anos. Ele respondeu que reparavam, sim, que a Matilde do 4.º B reparava. Foi a primeira vez que o ouvi falar de uma rapariga com aquele tom. Ri-me tanto que tive de me encostar ao frigorífico.
Naquela manhã, a cozinha cheirava a torradas queimadas e a protetor solar, porque ainda estava calor e eu obrigava-os a pôr creme até setembro acabar. O Miguel procurava as chaves do carro. A Leonor chorava porque a mochila nova tinha uma alça torcida. O Tomás comia cereais de pé, encostado à bancada, a ler a parte de trás da caixa como se fosse um romance.
Era uma manhã igual a tantas outras. É isso que ninguém nos diz sobre as últimas vezes: não trazem aviso. Não há música de fundo, não há uma luz diferente. Há torradas queimadas, uma alça torcida, um rapaz a ler uma caixa de cereais.
Se eu soubesse, tinha olhado para ele com mais atenção. Tinha decorado o barulho da colher a bater na tigela. Mas não sabia. Ninguém sabe. E talvez seja por isso que aquelas manhãs são tão bonitas: vivemo-las por inteiro, sem medo de as perder.
Logo depois do pagamento, recebes um email com o acesso ao PDF. Normalmente demora poucos minutos. Se não o encontrares, espreita a pasta de spam ou de promoções.
Sim. O PDF lê-se bem no telemóvel, no tablet e no computador. Também o podes imprimir, sobretudo as páginas para escrever.
Sim. A saudade não tem prazo. Muitas pessoas voltam a precisar de companhia anos depois, nos dias em que a falta aperta: um aniversário, o Natal, o Dia de Todos-os-Santos.
Podes. Fazes a compra com o teu email e envias o PDF a quem quiseres. O livro tem até um capítulo para quem está por perto, que te pode ajudar a ti também.
Não. É uma companhia, não um tratamento. Se a dor estiver muito pesada, o livro explica quais são os sinais de alerta e onde pedir ajuda em Portugal.
Sim. As histórias passam-se em Portugal e entre emigrantes portugueses, e o guia fala das datas, dos serviços e dos contactos de apoio de cá.
Não é um tratamento, nem um livro religioso, nem um guia de papéis e heranças. As histórias falam da perda de pessoas: um filho, um companheiro, uma mãe. Se procuras outra coisa, o primeiro capítulo, aqui em cima, ajuda-te a perceber se é para ti.
Tens 15 dias, a contar da compra, para pedir o reembolso total através da Hotmart.
Histórias para os dias em que precisas de companhia, um guia para os dias em que precisas de saber o que fazer e páginas para os dias em que precisas de pôr tudo cá fora. Lês ao teu ritmo. O livro fica à tua espera.
Depois do pagamento, recebes o PDF no teu email em poucos minutos.